Justiça decreta quebra de sigilo bancário e telefônico de Mamoru e seus familiares

Prefeito de Itaquaquecetuba mantém tradição de aumentos de tarifa em véspera de feriados
Por Lailson Nascimento e Renan Xavier do Jornal Gazeta Regional
 
A Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do prefeito de Itaquaquecetuba, Mamoru Nakashima (PSDB), e também de seus familiares e secretários de governo. O pedido foi feito pelo MP-SP (Ministério Público), que apura “possíveis crimes de corrupção e de lavagem de capitais”. O despacho do relator Laerte Marrone foi publicado no Diário da Justiça Eletrônico no último dia 20, terça-feira.
 
Segundo o magistrado, a esposa de Mamoru, Joerly Nakashima, assim como seus filhos Iberê e Iara são alvo de um procedimento de investigação criminal movido pelo MP. Os secretários municipais William Harada, da pasta de Finanças e de Sáude, e Vanusia Fernandes Pereira, de Administração e de Receita, também são citados na investigação.
 
A quebra de sigilo fiscal ainda abrange as três empresas da família Nakashima, a Ferraz Garcia Participações, a Iabe Participações Ltda. e Saturno Estacionamento e Locação de Veículos Ltda ME. A suspeita é de que os empreendimentos seriam usados para lavagem de dinheiro desviado em esquemas ilícitos.
 
Ainda de acordo com o despacho, o MP teria provas documentais e testemunhais sobre a prática de ao menos dois crimes. O magistrado cita “pagamentos a agentes públicos inclusive o prefeito de quantias representativas de vantagens indevidas pela prática de atos de ofício (relacionados a local para descarte de resíduos sólidos)”, além de “transações, aparentemente não usuais” feitas por pessoas sem poder econômico para tal, que indicariam “ocultação ou dissimulação da origem de bens e valores”.
 
O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) também cita no despacho do relator Laerte Marrone transações bancárias feitas por pessoas sem capacidade econômica para movimentações financeiras de grande porte também fazem parte das provas apresentadas pelo órgão. Neste caso, a suspeita é de que os envolvidos estariam ocultando ou dissimulando a origem dos recursos, o que configura lavagem de dinheiro.
 
A lista dos investigados ainda aponta os nomes de Ademir Bainha Lopes, Aiko Watanabe More, Benedito Aparecido Buzzeti e Kiotochi More, além da empresa Licita Prestação de Serviços em Licitações S/S Ltda-ME.
 
OPINIÃO – Para o advogado Gustavo Ferreira, ao pedir a quebra do sigilo bancário dos envolvidos, o MP indica que pretende reunir provas de esquemas de corrupção na Prefeitura de Itaquaquecetuba. “Não tenho acesso ao processo, portanto, não é possível apontar, concretamente, o teor da denúncia. Mas, no despacho, fica claro que há indícios de corrupção no governo de Mamoru”.
 
SILÊNCIO – A família Nakashima, assim como os secretários William Harada e Vanusia Fernandes Pereira foram questionados pela reportagem através da assessoria de imprensa da prefeitura. Até o fechamento da reportagem, entretanto, não houve manifestação. Ademir Bainha Lopes, Aiko Watanabe More, Benedito Aparecido Buzzeti e Kiotochi More não foram localizados pela reportagem. Representantes da empresa Licita Prestação de Serviços em Licitações também não foram localizados.
 
A reportagem também pediu mais informações ao MP-SP. Em nota, o órgão disse que o procedimento corre sob segredo de Justiça.

Comentários no Facebook